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HPV na gravidez. E agora?

A realização ou não de tratamento para lesões de HPV na gravidez depende do tipo, da localização e do tamanho da lesão

HPV na gravidez - gestante com as mãos na barriga

Estudos mostram que o HPV não prejudica o desenvolvimento nem a saúde do bebê

Durante o pré-natal, o obstetra pede diversos exames para a futura mamãe, entre eles o Papanicolau, um teste que rastreia lesões pré-cancerosas ou cancerosas no colo do útero. O Ministério da Saúde recomenda que mulheres que já tiveram ou têm atividade sexual façam o teste a partir dos 25 anos. Os dois primeiros exames devem ser realizados com o intervalo de 1 ano entre eles. Se o resultado for negativo, os próximos rastreamentos podem ser feitos a cada três anos.

Porém, apesar da recomendação de fazer o exame preventivo rotineiramente, muitas mulheres acabam fazendo o exame pela primeira vez ou após muito tempo durante a gravidez. E algumas descobrem ter HPV (papilomavírus humano), vírus responsável por 70% dos casos de câncer de útero. Vale ressaltar que existem mais de 100 tipos de vírus diferentes e que esses agentes infecciosos são divididos em HPV de alto e de baixo risco. Os de alto risco são os subtipos de propiciam as lesões cancerígenas. Já os de baixo risco favorecem o aparecimento de verrugas benignas, os chamados condilomas.

Na maioria das vezes, o próprio organismo combate o vírus, impedindo sua manifestação e evolução. No entanto, a menor resistência imunológica e as alterações hormonais que ocorrem durante a gravidez podem favorecer o desenvolvimento de lesões, principalmente no primeiro e no segundo trimestre.

HPV na gravidez: quais os riscos?

Estou grávida e com HPV, e agora? Você não está sozinha: pesquisas sugerem que aproximadamente 33% das gestantes no Brasil têm o vírus do HPV. Caso o Papanicolau indique uma lesão, a colposcopia deverá ser realizada. No exame, o médico utiliza um microscópio grande (colposcópio) para identificar áreas anormais. A biópsia pode ser necessária, caso suspeite a existência de lesões pré-cancerígenas ou cancerígenas. Mas fique tranquila! O exame é seguro e pode ser realizado em qualquer momento da gestação.

A boa notícia é que estudos mostram que o vírus não prejudica o desenvolvimento nem a saúde do bebê, pois ele não é transmitido pelo sangue nem consegue penetrar o líquido amniótico. Mas na hora do parto, o HPV pode ser um problema, caso a gestante tenha lesões ativas, pois podem obstruir o canal de parto. Algumas pesquisas também sugerem que o bebê pode ser contaminado durante o parto – no entanto, é raro ocorrer a contaminação e geralmente o bebê elimina o vírus espontaneamente e não manifesta a doença.

Tratamentos do HPV na gravidez

A realização ou não de tratamento durante a gestação depende do tipo, da localização e do tamanho da lesão. No pós-parto, dependendo da extensão e do grau, as lesões podem regredir e até desaparecer. Inclusive, pesquisas mostram que entre 25 a 70% dos casos de NIC não tratados durante a gravidez regridem espontaneamente. Mesmo assim, é essencial o acompanhamento médico para decidir qual a melhor terapia.

Parto normal ou cesárea?

De acordo com a FEBRASGO (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia), a presença de NIC (neoplasia-epitelial cervical) ou LIE (lesão intraepitelial escamosa), independentemente do grau, não é uma contraindicação para o parto normal. No entanto, o obstetra deve avaliar individualmente o caso, priorizando sempre o desejo materno e a saúde do binômio mãe e filho.

Veja mais sobre HPV e parto normal aqui).

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