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Infertilidade: fatores masculinos

Após um ano de tentativas sem sucesso, uma avaliação criteriosa será feita tanto na mulher como no homem para identificar a causa da infertilidade

Recentemente falamos aqui sobre os fatores femininos, que representam 40% das causas de infertilidade. Agora vamos falar sobre os fatores masculinos, responsáveis também por aproximadamente 40% dos problemas de fertilidade.

Após um ano de tentativas sem sucesso, o casal deve buscar o auxílio de um profissional especialista em infertilidade e uma avaliação criteriosa será feita tanto na mulher como no homem.

Diferentemente das mulheres que já nascem com todos os óvulos formados, a produção de espermatozoides, as células reprodutoras masculinas, começa na puberdade e vai até o final da vida. Um homem saudável produz de 100 a 200 milhões de espermatozoides por dia. Bastante, né? No entanto, a produção normal de espermatozoides depende de um complexo sistema hormonal. O processo, que leva aproximadamente 72 dias, se inicia nos testículos com o desenvolvimento de células espermáticas imaturas para células espermáticas maduras (ou espermatozoides).

Nesta etapa, eles migram para o epidídimo e, após 18 a 24 horas, ganham a capacidade de se locomover. Em seguida, passam para o ducto deferente até chegarem à vesícula seminal, onde ficarão armazenados até o momento da ejaculação. Entre 200 a 500 milhões de espermatozoides são depositados na parte posterior da vagina durante a relação, porém apenas 300 a 500 conseguem alcançar o local da fecundação. No entanto, alguns problemas podem alterar a quantidade e/ou a qualidade dos espermatozoides:

Varicocele

É uma dilatação anormal das veias testiculares que pode dificultar o retorno venoso e a qualidade dos espermatozoides. Pode ser assintomática, mas em alguns casos causa dor e desconforto na região. Se comprovada a relação da varicocele com a infertilidade, a cirurgia é a opção para corrigir o problema. É um procedimento simples, realizado sob anestesia peridural ou raquidiana.

Disfunção hormonal

Os principais hormônios masculinos relacionados com a fertilidade são o FSH (Hormônio Folículo-estimulante), responsável por estimular a produção de espermatozoides, e o LH (Hormônio Luteinizante), que promove a produção de testosterona pelos testículos – baixos níveis de LH levam à perda da vontade sexual e dificuldade de ereção. Os dois hormônios podem ser repostos.

Processos infecciosos

Sífilis, gonorreia, clamídia e outras bactérias causam infecções que prejudicam as células testiculares e, em casos graves, podem obstruir o epidídimo e o ducto deferente, impedindo a liberação dos espermatozoides.

Exposição a toxinas

Alguns medicamentos, como a finasterida (usada contra a queda de cabelo) e as substâncias utilizadas na quimioterapia e na radiação ionizante podem comprometer a produção dos espermatozoides.

O uso de drogas também tem uma relação direta com a infertilidade. A maconha, por exemplo, diminui a mobilidade dos espermatozoides. Já a cocaína, altera a produção, e o álcool pode comprometer a qualidade do sêmen. Já o cigarro pode atrapalhar a ereção e provocar alterações até no DNA dos espermatozoides. Inclusive, dados da Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva (ASRM) mostram que homens e mulheres fumantes têm chance três vezes maior de sofrerem de infertilidade.

O uso de esteroides anabolizantes também pode causar infertilidade. A testosterona sintética ocasiona o bloqueio da produção de espermatozoides – em alguns casos, definitivamente.

Diagnóstico da infertilidade masculina: espermograma

O principal exame para investigar a infertilidade masculina é a análise do sêmen, o espermograma. Ele avalia alguns parâmetros como número de espermatozoides (a diminuição do número de espermatozóides é denominada oligospermia e sua ausência é chamada de azoospermia), a mobilidade, a morfologia, entre outros, além da ocorrência de infecções.

No entanto, vale destacar que o espermograma não é um teste de fertilidade e a avaliação para constatar a infertilidade masculina também deve abranger um exame físico e a investigação histórica do paciente e do casal.

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