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Pílula do dia seguinte: o método emergencial

A pílula do dia seguinte evita uma gravidez indesejada, porém é um contraceptivo de emergência que deve ser usado somente em ÚLTIMO caso!

mulher segura pílula do dia seguinte

Após um “acidente de percurso” na relação sexual, logo surge a solução: tomar a conhecida pílula do dia seguinte. O método é realmente eficaz para evitar uma gravidez indesejada, porém é um contraceptivo de emergência, ou seja, deve ser utilizado somente em último caso. Quando, por exemplo, a camisinha estoura no momento da ejaculação, ou quando a mulher se lembra que não tomou a pílula anticoncepcional nos últimos três dias. Em casos de estupro, também pode ser utilizada.

O recomendado é tomar a pílula do dia seguinte logo após a relação sexual, não ultrapassando 72 horas (3 dias), pois sua eficácia diminui com o passar do tempo. Nas primeiras 24 horas, a eficácia do método pode chegar a 98%. O medicamento, dependendo da marca e da formulação, é vendido em dose única ou em dois comprimidos – se for em dois, a mulher pode tomar uma cápsula e esperar 12 horas para tomar a outra, ou tomar as duas de uma vez só. Estima-se que o medicamento já começa sua ação após uma hora da ingestão.

O mecanismo de ação da pílula de emergência pode variar dependendo da fase do ciclo menstrual: pode inibir ou atrasar a ovulação, dificultar a entrada do espermatozoide e a fecundação do óvulo ou atrapalhar a passagem do óvulo na tuba uterina. Importante: após a implantação no útero, o medicamento não impedirá a evolução da gestação. Inclusive, o método não causa aborto ou má formação no feto, caso ocorra a gravidez.

Após tomar a pílula do dia seguinte, espere vir a menstruação (algumas mulheres menstruam em até sete dias; outras, na data prevista) para iniciar uma nova cartela da pílula anticoncepcional. O método emergencial não tem efeito cumulativo, então até a menstruação descer, não faça sexo desprotegido. Use camisinha.

Pílula do dia seguinte: posso usar sempre que transar?

Não. O contraceptivo de emergência é menos eficaz que os métodos contraceptivos regulares, então não deve ser usado com frequência. Inclusive, como tem uma concentração elevada de hormônio, é inapropriado para uso regular. Para você ter uma ideia, a pílula do dia seguinte equivale à cerca de meia cartela daquela que se toma todo dia. Uma bomba hormonal em dose única, certo? Não utilizar frequentemente é uma questão de cuidado com a sua saúde e com o seu próprio corpo! O ideal é consultar um ginecologista e encontrar o melhor método para justamente não precisar da pílula do dia seguinte.

A pílula do dia seguinte tem efeitos colaterais. Além de desregular o ciclo menstrual, pode provocar enjoo e vômito – inclusive, se isso acontecer nas primeiras três ou quatro horas após a ingestão, é necessário repetir a dose. Outros sintomas comuns são dor de cabeça, desconforto nas mamas e vertigem.

Estudos mostram que o método hormonal também pode aumentar o risco de uma gravidez ectópica, ou seja, fora do útero. Como diminui o movimento natural das trompas (lugar onde acontece a fecundação do óvulo com o espermatozoide), o óvulo fecundado pode não alcançar a cavidade uterina e se implantar ali mesmo ao invés do útero. A gravidez ectópica tubária é uma situação de emergência médica, já que a tuba pode se romper, causando uma hemorragia.

Amamentação X pílula do dia seguinte

Como você já sabe, a amamentação não evita em 100% uma futura gravidez e a mamãe que não deseja engravidar na sequência deve utilizar um método contraceptivo, como o DIU hormonal ou de cobre. No entanto, muitas mulheres ainda apostam na amamentação como método contraceptivo e ficam inseguras após a relação sexual. A pílula do dia seguinte não é indicada durante as primeiras seis semanas após o parto, pois o hormônio passa para o leite humano. Após o período, é importante conversar com o seu médico para avaliar os benefícios.

Contraindicações da pílula emergencial

É importante conversar com o seu ginecologista antes de utilizar o medicamento. De forma geral, as contraindicações são as mesmas dos anticoncepcionais comuns: mulheres com risco de tromboembolismo venoso e com insuficiência hepática, por exemplo, não devem tomar o medicamento. E vale reforçar: é um método emergencial, que evita uma gravidez indesejada, mas não protege contra as DSTs. Então, use-o com moderação!

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