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Óvulos: quantidade X qualidade

qualidade X quantidade de óvulos

A reprodução humana está em constante atualização. E, se antes acreditava-se que quanto mais embriões transferidos, maior a probabilidade de a mulher engravidar, atualmente pesquisas sugerem que transferir somente um embrião pode melhorar as chances de ocorrer a gestação e de a gravidez evoluir com menos riscos. De outro lado, protocolos de estímulo ovariano com doses maiores de medicamentos na tentativa de se obter um maior número de óvulos na coleta são cada vez mais utilizados. As vantagens incluem uma maior probabilidade de conseguir óvulos maduros, além da possibilidade de congelar mais embriões para futuras transferências.

Um bom estímulo ovariano é algo que deve ser comemorado, porém recentes estudos mostram que a quantidade de óvulos obtidos não é garantia de óvulos de boa qualidade, aqueles que têm um maior potencial de gerar um embrião saudável e viável. Uma pesquisa realizada (Sunkara et al., 2011) com a observação de um banco de dados com mais de 400 mil ciclos realizados mostrou que a melhor chance de nascimento de bebês vivos foi obtida quando foram coletados cerca de 15 oócitos, porém que a probabilidade de êxito diminui consideravelmente após 20 oócitos.

Um outro estudo realizado em 2014-2015 com a observação de 15.803 casos comparou novamente o número de óvulos obtidos no ciclo com o resultado obtido. A chance de gravidez foi 8% maior para cada oócito adicional até 9, com queda de 9% para cada óvulo adicional após este número. Então, segundo os autores, durante o ciclo de estímulo ovariano o objetivo deve ser a coleta de 9 óvulos.

Óvulos X idade


A qualidade e a quantidade de óvulos variam de acordo com a idade da mulher. É claro que há casos que fogem à regra, mas a tendência é a mulher ser mais fértil quanto menor for a idade. O problema é que cada vez mais mulheres adiam a maternidade. Se antigamente as mulheres eram mães aos 20 anos ou até mais novas, hoje cada vez mais mulheres têm o primeiro filho após os 30 anos e, muitas, começam a pensar na maternidade após os 40 anos, exatamente na fase em que ocorre o maior declínio da fertilidade e o envelhecimento ovariano.

Nem todo óvulo leva a um bebê e uma certa porcentagem de nossos óvulos é anormal em qualquer idade. A qualidade dos óvulos está relacionada às suas características morfológias e cromossômicas. Se o óvulo possui alterações no seu formato ou nas suas membranas protetoras, é mais difícil que o espermatozoide consiga entrar para formar um embrião saudável. Um embrião saudável é formado por 46 cromossomos, 23 da mãe e 23 do pai. Portanto, o óvulo deve possuir 23 cromossomos. Caso possua um número diferente, há grandes chances de aborto espontâneo ou o nascimento de uma criança com síndrome cromossômica, como Síndrome de Down.

A idade da mulher é um fator relevante na chance de se obter um embrião euploide, ou seja, geneticamente normal. Consequentemente, as taxas de fertilidade são mais baixas, as de aborto espontâneo são mais altas e o número de nascimentos de bebês com aneuploidias (síndromes cromossômicas) também é maior com o passar da idade.

Número teórico de óvulos necessários para se obter um embrião euploide:


Até 35 anos: 6 óvulos -> 1 euploide
Até 39 anos: 10 óvulos -> 1 euploide
Depois de 40 anos: 16 óvulos -> 1 euploide

O estímulo ovariano deve ser sempre individualizado de acordo com o casal, assim como a necessidade de testar geneticamente os embriões antes da transferência (rastreamento genético pré-implantacional). Lembrando que a análise genética do embrião pode poupar o casal de passar por abortos espontâneos e até indicar mais precocemente o uso de óvulos doados quando as tentativas de se obter embriões saudáveis se esgotarem, tema do próximo post.

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