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Você sabia que 30% dos casos de câncer de mama poderiam ser evitados com bons hábitos alimentares e exercícios físicos?

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Nos últimos anos, houve uma redução na mortalidade pelo câncer de mama nos Estados Unidos e na Europa, fruto de décadas de investimento voltados para o diagnóstico precoce e o acesso ao tratamento adequado. No Brasil, apesar de todos os esforços, o cenário ainda é preocupante: o número de casos da doença no país aumentou 13,4% entre 2009 e 2014 e, segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), são esperados quase 58 mil novos casos de câncer de mama por ano.

O câncer de mama não tem somente uma causa e ter uma vida saudável é importante para prevenir a doença: 30% dos casos podem ser evitados com bons hábitos alimentares e exercícios físicos. Além de obesidade e sedentarismo, confira outros fatores que aumentam o risco da doença:

O que aumenta o risco de desenvolver câncer de mama

– Sobrepeso após a menopausa;

– Consumo de bebida alcoólica e tabagismo;

– Casos de câncer de mama na família, principalmente antes dos 50 anos ou em homens *;

– História familiar de câncer de ovário*;

– Alteração genética nos genes BRCA1 e BRCA2*;

– Primeira menstruação antes dos 12 anos;

– Não ter tido filhos ou ter engravidado após os 30 anos;

– Não ter amamentado;

– Uso de contraceptivos hormonais com estrogênio-progesterona;

– Ter feito reposição hormonal pós-menopausa por mais de cinco anos;

– Menopausa em idade tardia (após 55 anos)

* A paciente que possui um desses fatores genéticos é considerada com alto risco para desenvolver câncer de mama (mas não significa que certamente terá a doença)

O risco de ter câncer de mama: vamos falar sobre isso?

A campanha do INCA de 2018 tem como tema “Câncer de mama: vamos falar sobre isso?”. É difícil falar sobre o Câncer de Mama, mas é essencial desmistificar a doença e propagar o diagnóstico precoce da doença e não atrasar o tratamento.

Os hábitos saudáveis são importantes para reduzir o risco de câncer de mama. No entanto, é importante que a mulher conheça suas mamas e fique atenta a qualquer alteração. A consulta com um ginecologista e a realização de exames de rotinas são essenciais para identificar o câncer antes de a pessoa ter sintomas.

As mulheres entre 50 a 69 anos devem fazer uma mamografia, exame que faz uma radiografia das mamas, a cada dois anos.

Confira aqui a campanha de 2018 do INCA!

Vacina não é coisa de criança! Será que a sua carteira de vacinação está em ordem? Seu ginecologista pode ajudá-la a descobrir!

Mulher tomando vacina

A volta do sarampo, doença que estava extinta no país desde 2016, reacendeu a discussão sobre a importância da vacinação da população. Para entender melhor: o vírus retornou ao país por meio de imigrantes venezuelanos, porém,se as pessoas estivessem vacinadas no Brasil, o vírus não teria se propagado, causando assim o risco de uma nova epidemia da doença.

Doenças contagiosas, como sarampo, rubéola, poliomielite e coqueluche, que inclusive levaram milhares de pessoas à morte no século passado, foram controladas e até erradicadas do país graças à vacinação. Mas, caso as pessoas parem de se vacinar, podem voltar e até se tornar uma epidemia. Ou seja, ao não se vacinar ou não vacinar o seu filho, você coloca a saúde de diversas pessoas em risco e ainda contribui para o retorno de diversas doenças.

O pediatra normalmente controla o calendário de vacinação para recém-nascidos e crianças, mas a imunização não para por aí: o Ministério da Saúde tem um calendário de vacinação específico para adolescentes, adultos, idosos, e ainda para gestantes. As mulheres em idade fértil, por exemplo, devem tomar a vacina contra rubéola, pois se ela contrair a doença durante a gravidez, pode causar até a morte do bebê. Será que você está com a carteira de vacinação em dia? Confira quais imunizações são necessárias a partir da adolescência.

Dupla ou Tríplice Bacteriana Adulta


A Dupla Bacteriana é oferecida pela rede pública de saúde e protege contra difteria e tétano, já a Tríplice Bacteriana é encontrada nas clínicas particulares e, além da difteria e tétano, também protege contra a coqueluche. Deve ser administrada como reforço da dose infantil a cada 10 anos.

Tríplice Viral


Protege contra três doenças infecciosas provocadas por vírus: o sarampo, a caxumba e a rubéola. É necessário tomar de uma a duas doses, com intervalo mínimo de 4 semanas entre elas, dependendo do histórico de vacinação. Apesar do recente surto da doença, quem está com a carteirinha em ordem não precisa se vacinar novamente, independentemente da idade.

Em relação à rubéola, é importante que mulheres em idade fértil sejam imunizadas, porque a doença durante a gravidez é mais grave e pode provocar malformações no bebê, como problemas de visão e audição.

Febre Amarela


Antes, era recomendado tomar uma dose da vacina contra Febre Amarela a cada 10 anos. O esquema atual exige uma dose única da vacina, que pode ser administrada em bebês a partir dos 9 meses.

Hepatite B


É recomendada para adultos e adolescentes que nunca tomaram a vacina quando crianças, já que a imunização contra Hepatite B é relativamente nova. São necessárias três doses. A primeira; a segunda, 30 após a primeira; e a terceira, seis meses após a primeira. Na rede particular é possível encontrar a vacina da hepatite A associada à hepatite B.

Varicela (catapora)


Quem não teve catapora na infância deve tomar a vacina, pois a doença costuma ser mais grave em adultos.

Influenza


Existem dois tipos da vacina contra a gripe: a trivalente, disponível na rede pública e na rede particular, que protege contra duas cepas de vírus influenza e uma de vírus B; e a quadrivalente, disponível somente na rede particular, que protege contra duas cepas de vírus A e duas de vírus B. Como a composição sofre alterações, é necessário tomar uma dose única todo ano. Veja mais sobre a vacina da gripe aqui

HPV


Protege contra o papilomavírus humano, doença sexualmente transmissível que provoca verrugas genitais e pode levar ao câncer do colo de útero, vulva, vagina ou ânus, entre outros. Existe a vacina bivalente, que protege contra os tipos de vírus 16 e 18, que causam câncer, e a quadrivalente, que imuniza contra quatro tipos (6, 11, 16 e 18), ou seja, tipos relacionados a câncer e a verrugas genitais. Meninas e mulheres devem receber a imunização a partir dos 9 anos de idade (meninas menores de 15 anos devem receber duas doses e meninas com mais de 15 anos devem receber três doses). Meninos e homens podem ser vacinados entre os 9 e 26 anos de idade, apenas com a forma quadrivalente da vacina (meninos menores de 15 anos devem receber duas doses e meninos com mais de 15 anos devem receber três doses).

3 vacinas que as grávidas devem tomar

Tríplice Bacteriana Adulta


A partir da 20ª semana, no entanto preferencialmente entre 27 e 36 semanas, a gestante que está com a vacina em dia, mas recebeu a última dose da vacina contra o tétano há mais de cinco anos, deve tomar uma dose de reforço, que protege o bebê contra o tétano neonatal, uma infecção causada por uma bactéria que entra no organismo do recém-nascido pelo coto do cordão umbilical e atinge o sistema nervoso, podendo causar a morte da criança. É importante também garantir a imunização contra a coqueluche, doença muito grave em bebês, principalmente para os que têm até 3 meses de vida.

Influenza


Alguns tipos de vírus da gripe, como o H1N1, durante a gravidez e no puerpério podem levar a formas clínicas graves e até a morte. A vacina, em dose única, é segura para a mamãe e para o bebê e pode ser tomada em qualquer fase da gestação.

Hepatite B


Caso a gestante não tenha tomado o esquema completo para a hepatite B, ela deve ser vacinada durante o segundo ou terceiro trimestre, pois existe risco de ela transmitir a doença ao filho durante a gestação ou no momento do parto. Em recém-nascidos, as chances de a hepatite B evoluir para uma hepatite crônica é de 90%, por isso os bebês já recebem a primeira dose da vacina logo
após o nascimento.

A pílula do dia seguinte evita uma gravidez indesejada, porém é um contraceptivo de emergência que deve ser usado somente em ÚLTIMO caso!

mulher segura pílula do dia seguinte

Após um “acidente de percurso” na relação sexual, logo surge a solução: tomar a conhecida pílula do dia seguinte. O método é realmente eficaz para evitar uma gravidez indesejada, porém é um contraceptivo de emergência, ou seja, deve ser utilizado somente em último caso. Quando, por exemplo, a camisinha estoura no momento da ejaculação, ou quando a mulher se lembra que não tomou a pílula anticoncepcional nos últimos três dias. Em casos de estupro, também pode ser utilizada.

O recomendado é tomar a pílula do dia seguinte logo após a relação sexual, não ultrapassando 72 horas (3 dias), pois sua eficácia diminui com o passar do tempo. Nas primeiras 24 horas, a eficácia do método pode chegar a 98%. O medicamento, dependendo da marca e da formulação, é vendido em dose única ou em dois comprimidos – se for em dois, a mulher pode tomar uma cápsula e esperar 12 horas para tomar a outra, ou tomar as duas de uma vez só. Estima-se que o medicamento já começa sua ação após uma hora da ingestão.

O mecanismo de ação da pílula de emergência pode variar dependendo da fase do ciclo menstrual: pode inibir ou atrasar a ovulação, dificultar a entrada do espermatozoide e a fecundação do óvulo ou atrapalhar a passagem do óvulo na tuba uterina. Importante: após a implantação no útero, o medicamento não impedirá a evolução da gestação. Inclusive, o método não causa aborto ou má formação no feto, caso ocorra a gravidez.

Após tomar a pílula do dia seguinte, espere vir a menstruação (algumas mulheres menstruam em até sete dias; outras, na data prevista) para iniciar uma nova cartela da pílula anticoncepcional. O método emergencial não tem efeito cumulativo, então até a menstruação descer, não faça sexo desprotegido. Use camisinha.

Pílula do dia seguinte: posso usar sempre que transar?

Não. O contraceptivo de emergência é menos eficaz que os métodos contraceptivos regulares, então não deve ser usado com frequência. Inclusive, como tem uma concentração elevada de hormônio, é inapropriado para uso regular. Para você ter uma ideia, a pílula do dia seguinte equivale à cerca de meia cartela daquela que se toma todo dia. Uma bomba hormonal em dose única, certo? Não utilizar frequentemente é uma questão de cuidado com a sua saúde e com o seu próprio corpo! O ideal é consultar um ginecologista e encontrar o melhor método para justamente não precisar da pílula do dia seguinte.

A pílula do dia seguinte tem efeitos colaterais. Além de desregular o ciclo menstrual, pode provocar enjoo e vômito – inclusive, se isso acontecer nas primeiras três ou quatro horas após a ingestão, é necessário repetir a dose. Outros sintomas comuns são dor de cabeça, desconforto nas mamas e vertigem.

Estudos mostram que o método hormonal também pode aumentar o risco de uma gravidez ectópica, ou seja, fora do útero. Como diminui o movimento natural das trompas (lugar onde acontece a fecundação do óvulo com o espermatozoide), o óvulo fecundado pode não alcançar a cavidade uterina e se implantar ali mesmo ao invés do útero. A gravidez ectópica tubária é uma situação de emergência médica, já que a tuba pode se romper, causando uma hemorragia.

Amamentação X pílula do dia seguinte

Como você já sabe, a amamentação não evita em 100% uma futura gravidez e a mamãe que não deseja engravidar na sequência deve utilizar um método contraceptivo, como o DIU hormonal ou de cobre. No entanto, muitas mulheres ainda apostam na amamentação como método contraceptivo e ficam inseguras após a relação sexual. A pílula do dia seguinte não é indicada durante as primeiras seis semanas após o parto, pois o hormônio passa para o leite humano. Após o período, é importante conversar com o seu médico para avaliar os benefícios.

Contraindicações da pílula emergencial

É importante conversar com o seu ginecologista antes de utilizar o medicamento. De forma geral, as contraindicações são as mesmas dos anticoncepcionais comuns: mulheres com risco de tromboembolismo venoso e com insuficiência hepática, por exemplo, não devem tomar o medicamento. E vale reforçar: é um método emergencial, que evita uma gravidez indesejada, mas não protege contra as DSTs. Então, use-o com moderação!

O diagnóstico e o nome assustam, porém o útero retrovertido não atrapalha uma gravidez natural nem o seu desenvolvimento

Útero feminino

Algumas mulheres apresentam o útero retrovertido desde o nascimento

Muitas mulheres, ao fazer um ultrassom transvaginal de rotina, descobrem que têm o útero retrovertido (ou reverso). Ou seja, em vez do órgão estar inclinado para frente sobre a bexiga, está projetado para trás do corpo, na direção da coluna vertebral e do intestino. E as portadoras deste quadro, que não é considerado doença, já pensam “será que vou conseguir engravidar normalmente?”

Útero retrovertido X infertilidade

É um mito pensar que o útero retrovertido atrapalha uma gravidez natural nem o seu desenvolvimento – inclusive não impede que a mulher tenha um parto normal! Apesar de não haver estudos conclusivos, o útero retrovertido é frequentemente associado a uma incidência maior de endometriose (link para post sobre endometriose) – doença que pode causar infertilidade. Apesar da relação entre a posição do útero e o surgimento da endometriose não ser cientificamente comprovada, quando a mulher com útero retrovertido tem a doença, ela tende a ser mais profunda e atingir a região reto-vaginal.

Tem tratamento para o útero retrovertido?

Determinar a posição do útero é importante para alguns tratamentos, por exemplo colocar o DIU ou na fecundação in vitro, quando o médico vai inserir os embriões. No entanto, como dito anteriormente, a condição não é considerada uma doença. Inclusive, vale ressaltar que o útero não é um órgão fixo, por isso é até normal que se mova em algumas circunstâncias, como durante a gravidez ou pela presença e mioma ou focos de endometriose.

Não existe um protocolo único para o tratamento da retroversão uterina e as medias variam conforme as particularidades de cada caso. A alteração no posicionamento o útero é normalmente assintomática, mas algumas mulheres podem sentir desconfortos, principalmente intestinais ou durante as relações sexuais (dispareunia). Em situações específicas, uma cirurgia pode ser indicada para reposicionar o útero e corrigir o problema.

A atriz americana Lena Dunham passou por uma histerectomia total, aos 31 anos, para se livrar das fortes dores causadas pela endometriose

Endometriose

Nesta semana, a atriz e diretora americana Lena Dunham ganhou as manchetes ao revelar que passou por uma histerectomia total, uma operação que remove o útero, aos 31 anos, para se livrar dos sintomas da endometriose – procedimento que, entre outras consequências, a impedirá de engravidar futuramente.

Só quem vive com a doença sabe os desconfortos que ela causa, como cólicas muito fortes durante a menstruação, dor durante as relações sexuais, infertilidade, entre outros sintomas que podem levar até à depressão.

O que é a endometriose?

A endometriose é causada por um crescimento anormal das células do endométrio, membrana que reveste o interior do útero, para fora do órgão, como nas trompas, no ovário e até mesmo no intestino e na bexiga. Infelizmente, não existe cura ainda para a doença, apenas tratamentos e cirurgias para aliviar os sintomas e controlar sua progressão.

Tirar o útero cura a endometriose?

Mas afinal, apesar de radical, a histerectomia é a cura para a endometriose? Em um primeiro momento, pode-se pensar que removendo o útero a mulher pararia de menstruar e, consequentemente, as células do endométrio não migraria para os outros órgãos, resolvendo o problema.

No entanto, na maioria das vezes a doença não acomete somente o útero, mas toda a cavidade pélvica, e se a paciente apresentar outros focos de endometriose em outras regiões, as lesões continuam ou podem reaparecer mesmo sem a presença do útero, já que os ovários continuam a produzir o estrogênio, hormônio que estimula a proliferação do tecido endometrial.

A histerectomia deve ser utilizada como um último recurso e não deve ser feita de forma rotineira para o tratamento da endometriose, tanto pelas consequências como pelo risco de não resolver o problema. E lembre-se: cada caso precisa ser sempre avaliado individualmente por um especialista!

Muitas vezes, o câncer de mama pode ser detectado em fases iniciais, o que aumenta as chances de cura

Outubro começou e o rosa tomou conta das cidades do mundo – até o Cristo Redentor, no Rio de Janeiro, ganhou iluminação nova durante este mês. O objetivo é ressaltar a importância da prevenção e do diagnóstico precoce do câncer de mama.

O movimento Outubro Rosa começou em 1990, quando a Fundação Susan G. Komen for the Cure realizou a Corrida pela Cura e distribuiu laços rosas aos participantes para conscientizar a população sobre a importância da prevenção contra o câncer de mama. Em pouco tempo, outras cidades começaram a fazer ações isoladas e distribuíam os laços em locais públicos e eventos até que o Congresso Americano instituiu o mês de outubro como o mês nacional de prevenção contra o câncer de mama no país.

Hoje, o mundo abraça essa causa já que o câncer de mama é o tipo mais comum entre as mulheres, depois do câncer de pele não melanoma. O INCA (Instituto Nacional de Câncer) estima quase 58 mil casos novos da doença por ano no Brasil (2016). Existem diversos tipos de câncer de mama, alguns evoluem rapidamente, outros, não, mas a maioria dos casos tem bom prognóstico, principalmente se diagnosticado precocemente.

Detecção precoce do câncer de mama

Na maioria dos casos, o câncer de mama pode ser detectado em fases iniciais, o que aumenta as chances de cura.

Muitas mulheres descobrem a doença a partir da observação casual de alterações na mama, então é importante que você observe e faça a autopalpação das mamas sempre – pode ser no banho, quando for trocar de roupa ou em qualquer outra situação. Diferentemente de como foi preconizado nos anos 80, não é necessário uma técnica específica para se autoexaminar ou periodicidade definida. Por isso, fique atenta a qualquer alteração na mama e marque uma consulta com seu ginecologista se notar alguma mudança.

Consulte um ginecologista pelo menos uma vez por ano para realizar exames de rotina. Exames anuais de ultrassom de mama podem detectar o tumor precocemente e, após os 40 anos, a mamografia é recomendada a cada dois anos para o rastreamento da doença.

Quem tem risco elevado para o câncer de mama deve conversar com o médico para definir uma conduta a seguir. No próximo post iremos falar sobre os fatores que aumentam o risco para a doença. Confira!

Com duração de 5 anos, o DIU hormonal ou Mirena é um dos métodos contraceptivos mais seguros que existe

Imagem: Bayer

Imagem: Bayer

Apesar de ser o método contraceptivo mais eficaz que existe, o Sistema Intrauterino, também conhecido como DIU hormonal ou Mirena, ainda causa insegurança. Por isso, resolvi listar e esclarecer as principais dúvidas que ouço das pacientes no consultório. Confira!

1 – Qual a vantagem do DIU em relação aos outros métodos contraceptivos?


O Sistema Intrauterino é um dos métodos contraceptivos mais seguros que existe – a eficácia é similar à laqueadura (esterilização feminina). Tem duração de 5 anos e é totalmente reversível. O método praticamente não tem contraindicações e efeitos colaterais. Inclusive, é uma excelente opção para pacientes com contraindicação ao uso de contraceptivos orais, como as fumantes e portadoras de hipertensão arterial, diabetes e trombose. Só não recomendo para quem tem múltiplos parceiros, pois pode aumentar o risco de infecções dentro do útero.

2 – Qual a diferença entre o DIU de cobre e o DIU hormonal?


O primeiro é um pequeno dispositivo de plástico em forma de “T” com partes revestidas de cobre, material com propriedade espermecida. Como não tem hormônio, a mulher continua ovulando e menstruando normalmente – inclusive, algumas usuárias de DIU de cobre apresentam fluxo menstrual aumentado acompanhado de cólicas intensas.

O Sistema Intrauterino, ou DIU hormonal, também é uma pequena estrutura em forma de “T”, porém tem um reservatório que libera pequenas quantidades diárias de progesterona (não contém estrógeno) no local. Age dentro do útero, tornando o muco cervical mais espesso – o que dificulta a passagem dos espermatozóides e a fertilização do óvulo – e inibindo o crescimento do endométrio (camada que reveste a parte interna do útero), o que consequentemente diminui o fluxo menstrual. Inclusive mais de 40% das mulheres que usam esse tipo de DIU param de menstruar após 6 meses da colocação.

3 – Vou sentir dor durante a colocação?


A implantação do DIU leva cerca de dez minutos e pode ser feita no consultório, sem a necessidade de sedação. Primeiro, o médico faz uma ultrassonografia transvaginal para verificar a posição do útero. Na sequência, insere um espéculo para abrir a vagina e, com o auxílio de um aplicador, insere o dispositivo. Corta a ponta do fio, retira o espéculo e pronto! A dor varia de uma mulher para outra, mas geralmente a paciente sente uma cólica forte que acaba em poucos minutos. Quem já teve filhos, principalmente por parto normal, sente menos dor. Existe também a opção de fazer a implantação em um ambiente hospitalar com anestesia.

4 – Quais são os efeitos colaterais? Engorda?


Como a ação do DIU hormonal é local, uma quantidade mínima de progesterona atinge a corrente sanguínea. Então, são poucos os efeitos colaterais quando comparado a os outros métodos hormonais como pílulas, implantes, adesivos e injeções. Algumas pacientes, no entanto, relatam aumento de retenção hídrica, surgimento de acne e irregularidade menstrual, incômodos que tentem a diminuir com o passar do tempo.

5 – Conheço uma pessoa que engravidou utilizando o DIU. O método é realmente eficaz?


Nenhum método é 100% eficaz, mas é praticamente impossível engravidar utilizando o Sistema Intrauterino porque até quando mal colocado o dispositivo continua liberando hormônio. O DIU de cobre tem uma falha de 0,5 para cada 100 usuárias por ano, já o DIU hormonal tem uma falha de 0,1 para cada 100 mulheres.

6 – O DIU pode sair do lugar?


Dificilmente, porém é importante fazer um ultrassom após um mês da colocação para avaliar a posição do dispositivo. Alguns indícios de que o DIU se deslocou: aumento no volume de sangramento durante a menstruação e dor abdominal intensa. Se você suspeita que isso aconteceu, utilize outro método contraceptivo (camisinha, por exemplo) e comunique seu médico para reavaliação.

7 – O DIU é recomendado para quem tem endometriose?


Como o DIU hormonal inibe o crescimento do endométrio, ele impede a migração células para fora do útero e é eficaz para controlar os sintomas da endometriose.

8 – O parceiro pode sentir o DIU durante a relação sexual?


O DIU fica dentro do útero, somente o fio que será utilizado para a retirada que fica um pouco para fora, a cerca de 2cm do colo do útero. No entanto, se o fio ficar muito comprido, o parceiro pode senti-lo durante a penetração – mas ele não corre o risco de se machucar! Se for um incômodo para vocês, converse com o seu ginecologista e veja se é possível diminuir um pouco o comprimento do fio.

9 – Vou conseguir engravidar depois?


O dispositivo pode ser removido a qualquer momento e é possível engravidar no mês seguinte a retirada, que é feita no consultório mesmo, sem necessidade de sedação.

10 – Posso colocar o DIU quanto tempo depois de ter bebê?


Pode ser inserido 90 dias após o parto. É um método recomendado para mamães que acabaram de ter bebê e querem evitar uma nova gravidez pois não atrapalha a amamentação.

Cólica intensa, dores durante a relação sexual e infertilidade: eis alguns dos sintomas da endometriose, a doença da mulher moderna

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Estima-se que aproximadamente 6 milhões de mulheres sofram de endometriose no Brasil, uma das doenças ginecológicas mais estudadas atualmente e conhecida como a “doença da mulher moderna”.

O endométrio é um tecido que reveste a parede interna do útero – é onde o óvulo se implanta depois de fertilizado. Quando não ocorre a fecundação, grande parte do endométrio é eliminada na menstruação, processo que se repete a cada ciclo menstrual.

A endometriose ocorre quando as células do endométrio, em vez de serem expelidas, migram no sentido oposto e se implantam em outros órgãos da pelve: tubas uterinas, ovários, bexiga e intestino são os locais mais comuns. Esses focos de células endometriais são estimulados todo mês pela ação hormonal do estrógeno produzido pelos ovários, inflamando a região afetada. Inclusive, com o tempo, formam-se algumas cicatrizes (aderências) nos locais acometidos pelo problema.

Sintomas da endometriose

A endometriose pode ser assintomática, mas alguns sinais podem indicar a doença:

– Cólicas menstruais intensas que muitas vezes incapacitam as mulheres de exercerem suas atividades habituais;
– Dor durante a relação sexual (dismenorreia);
– Alterações intestinais e urinárias durante a menstruação;
– Dificuldade para engravidar ou infertilidade

Importante: a intensidade dos sintomas não é necessariamente proporcional ao estágio da doença.

Causas da endometriose

Pesquisas mostram que mulheres sem a doença também podem apresentar essa menstruação retrógada e não desenvolver endometriose. Pode-se concluir, então, que alguns fatores contribuem para o surgimento do problema – no entanto é importante ressaltar que as causas da endometriose ainda não são totalmente conhecidas.

– Predisposição genética
As chances de uma mulher ter endometriose aumentam se a mãe ou irmã teve a doença.

– Baixa imunidade
A redução da imunidade está ligada ao surgimento do problema. Quando o sistema imunológico está deficiente, o organismo não consegue identificar e combater as células endometriais que estão se proliferando para fora do útero.

– Gravidez tardia
Cada vez as mulheres têm menos filhos e demoram mais para engravidar. Consequentemente, o número de ciclos menstruais ao longo da vida é maior, prolongando a atuação do estrógeno, o que eleva as chances do endométrio migrar para onde não deveria. Desconfia-se que as características do estilo de vida atual como estresse, falta de atividade física e má alimentação também contribui para o desenvolvimento da endometriose. Daí o problema ser considerado a “doença da mulher moderna”.

Diagnóstico e tratamento da endometriose

O exame ginecológico clínico é o primeiro passo para o diagnóstico, que pode ser confirmado por exames laboratoriais e de imagem: exame de sangue (CA-125), ultrassom transvaginal, ressonância magnética pélvica e videolaparoscopia, considerado o “padrão ouro”.

Para determinar qual a melhor opção de tratamento, o médico deve levar em consideração a condição clínica e o desejo reprodutivo da paciente, caso ela esteja com dificuldade para engravidar. A cirurgia para remover os focos de endometriose é indicada para quem sofre com os sintomas relacionados acima. Anticoncepcionais via oral apropriados, DIU e hormônios também podem ser utilizados como tratamento paliativo. Dependendo do grau da endometriose, a fertilização in vitro é recomendada para casais que desejam engravidar.

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