Categorias:

O hormônio anti-mülleriano pode indicar como está sua reserva ovariana, já que a quantidade e a qualidade dos óvulos diminuem com a idade

Mulher teste anti-mulleriano

Adiar a maternidade é sempre um risco para as mulheres, já que a quantidade e a qualidade de óvulos diminuem progressivamente com o passar dos anos, principalmente após os 35 anos. No entanto, a fertilidade varia entre as mulheres. Quem não conhece alguém que engravidou rapidamente após os 40 anos? Por outro lado, há mulheres que entram na menopausa antes mesmo dos 40 anos.

Ainda não existe um teste que permita a previsão da menopausa ou mesmo as chances de gravidez. Porém, alguns exames conseguem avaliar a reserva ovariana. Entre eles, o hormônio anti-mülleriano (AMH) é um dos mais confiáveis.

O que é o exame anti-mülleriano?


O hormônio anti-mülleriano é uma substância produzida nos ovários, responsável por controlar o desenvolvimento dos folículos. Então, pela sua ação, serve como marcador da reserva ovariana. O teste é feito pela análise de uma amostra de sangue e pode ser realizado a qualquer momento do ciclo menstrual. Não é feito no SUS e geralmente não é coberto pelos convênios.

Em termos gerais, quanto menor for a dosagem, menor a reserva de óvulos. E quanto mais alto for o seu valor, maior a reserva ovariana da mulher, ou seja, maior o número de óvulos restantes. Valores entre 1,0 e 3,0 ng/mL são considerados normais e, abaixo e 1,0 ng/mL, indicam baixa reserva ovariana.

Vale ressaltar que os valores referenciais podem mudar de laboratório para laboratório e que apenas um médico, de preferência especialista em Reprodução Humana, pode interpretar com precisão o exame.

Por que o exame anti-mülleriano é importante para a FIV?


O hormônio anti-mülleriano é essencial para calcular a dosagem das medicações necessárias para a indução da ovulação nos tratamentos de reprodução assistida, como a fertilização in vitro (FIV). Valores muito baixos precisam de uma maior estimulação e valores muito altos (acima 3,0 ng/mL) pedem cautela para evitar a Síndrome do Hiperestímulo Ovariano.

Veja aqui mais sobre métodos de reprodução humana.

Uma reserva baixa significa que não vou conseguir engravidar?


Não necessariamente. Assim como outras áreas da medicina, a Reprodução Humana não é uma ciência exata. O resultado do exame anti-mülleriano é apenas um número que não define se a mulher é capaz ou não de engravidar, já que são muitos os fatores para que ocorra uma gestação.

Confira dicas para aumentar naturalmente em até 70% as chances de um casal ter um menino ou uma menina

Com os avanços das técnicas de Reprodução Assistida, sempre surge essa dúvida. Na fertilização in vitro (FIV), a sexagem nos embriões, pesquisa do sexo, é uma realidade. No entanto, o Conselho Federal de Medicina proíbe que a técnica seja usada com a intenção de selecionar o sexo, exceto para evitar a transmissão de doenças genéticas determinadas pelo sexo, como a hemofilia. Afinal, as técnicas de Reprodução Assistida existem para ajudar casais com infertilidade, não para escolher o sexo do bebê!

Mas é possível usar a ciência para aumentar naturalmente as chances de o casal ter um menino ou menina. O resultado não é 100% garantido, mas estudos dizem que a probabilidade de acertar o alvo é de 70%…

Quer uma menina?

– Tenha relações dois ou três dias antes da ovulação. Os espermatozoides femininos são mais lentos do que os masculinos, porém, conseguem sobreviver por mais tempo, por aproximadamente 72 horas. Então, resistem até a liberação do óvulo, enquanto os espermatozoides masculinos, mais rapidinhos, duram apenas 24 horas e têm chance maior de fecundar o óvulo se a relação ocorrer no dia da ovulação.
– Pesquisas mostram que a dieta também pode interferir. Um estudo realizado na Holanda sugeriu que o consumo de alimentos ricos em cálcio (leite e derivados, feijão branco, grão de bico, folhas escuras, chia, etc.) e magnésio (banana, abacate, espinafre, couve, nozes, amendoim, etc.). O recomendado pelos pesquisadores é alterar a dieta 9 semanas antes da ovulação.
– A posição também pode influenciar. O ideal é que a penetração não seja profunda e que a mulher não tenha orgasmo antes do homem – a secreção liberada durante o clímax deixa a vagina mais alcalina, o ambiente preferido dos espermatozoides que carregam o gene Y.

Quer um menino?

– Tenha relações o mais próximo possível do dia da ovulação. Ao contrário dos espermatozoides femininos, o espermatozoide masculino é ágil e chega mais rápido ao óvulo, no entanto é mais frágil e vive, em média, 24 horas.
– Nove semanas antes da concepção, mude a dieta e aumente o consumo de alimentos ricos em potássio (beterraba, batata doce, aveia, uva passa, água de coco, etc.) e sódio (carne, salmão, arroz, etc.) para alterar o pH do sangue e favorecer a concepção de um meninão.
– Peça para o parceiro abusar de bebidas e alimentos com cafeína (café, chá mate, coca-cola, achocolatados e chocolate) que turbinam os espermatozoides masculinos.
– Para engravidar de menino, prefira posições em que a penetração seja mais profunda. A mulher deve ter orgasmo antes ou ao mesmo tempo do homem, pois a secreção liberada durante o clímax deixa a vagina mais alcalina, facilitando a chegada dos espermatozoides Y.

Dica: Você conhece o seu ciclo menstrual?

Para a maioria das mulheres é difícil saber o dia exato da ovulação, que normalmente ocorre no meio do ciclo menstrual, de 12 a 16 dias antes do início da próxima menstruação. Mulheres com ciclos regulares de 28 dias geralmente ovulam no 14º dia após o primeiro dia da menstruação. Quem tem ciclo irregular, pode pedir auxílio para o seu ginecologista para calcular o período fértil.

A adenomiose pode dificultar uma gravidez espontânea e também prejudicar os resultados dos tratamentos de reprodução assistida

A endometriose, doença caracterizada pela presença do endométrio (tecido que reveste o útero) fora da cavidade uterina, já é um problema conhecido pelas mulheres que sofrem com dores pélvicas ou que não conseguem engravidar. Entretanto, o endométrio pode invadir a própria musculatura do útero, causando um transtorno que, apesar de pouco familiar, atinge uma em cada dez mulheres no mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS): a adenomiose.

Para entender melhor: o útero é formado por uma parede muscular, o miométrio. Internamente, o órgão é revestido por um tecido chamado endométrio, que geralmente descama com a menstruação e cresce novamente no início do ciclo menstrual. É no endométrio que o óvulo fecundado se implanta e permanece até o final da gestação. Nas mulheres que têm adenomiose, as células de endométrio se infiltram no miométrio e, ao invés de crescerem para fora revestindo o órgão, elas crescem dentro do músculo uterino.

Sintomas e diagnóstico da adenomiose

A adenomiose acomete mulheres principalmente entre 40 e 50 anos, mas cada vez mais é encontrada em pacientes mais jovens. Em aproximadamente 35% dos casos, é assintomática. No entanto, algumas portadoras do problema apresentam sangramento abundante durante a menstruação e forte dor pélvica. Outros sintomas incluem útero aumentado e dolorido, dor durante as relações sexuais e sangramento fora do período menstrual.

Infelizmente, quem tem adenomiose muitas vezes demora para descobrir o problema, já que é pouco conhecido e muitas vezes confundido com outras doenças pélvicas. A adenomiose é detectada por ultrassonografia transvaginal ou ressonância magnética. Como dificulta uma gravidez espontânea, muitas vezes o problema é encontrado durante a investigação das possíveis causas da infertilidade.

A adenomiose é uma doença benigna e pode ser classificada em focal ou localizada (quando as células endometriais são encontradas em uma determinada região do miométrio), ou difusa (quando há tecido endometrial disperso por toda a extensão interna do útero.

Existe tratamento para a adenomiose?

A histerectomia (retirada do útero) é o único tratamento definitivo. Cirurgias conservadoras para remoção dos focos de adenomiose ainda são controversas. No entanto, é possível amenizar os sintomas com tratamento clínico, caso a paciente deseje engravidar ou não queira partir para uma solução radical.

Considerando que a adenomiose é uma doença estrógeno-dependente, com a menopausa os sintomas costumam desaparecer. Enquanto isso, o tratamento pode ser feito com anti-inflamatório, para controlar as cólicas, associado a um anticoncepcional cíclico ou de uso contínuo, ao uso de progestágenos, com a supressão hormonal (agonistas de GnRH) ou com o DIU Mirena.

Adenomiose e infertilidade

Ainda não existem estudos conclusivos de como a adenomiose interfere na fertilidade feminina, mas observa-se que mulheres com a doença têm dificuldade para engravidar e que a patologia pode, inclusive, prejudicar os resultados dos tratamentos de reprodução assistida. Alguns pesquisadores acreditam que a doença tem um impacto no transporte do zigoto das tubas para o útero, ou que o problema pode interferir na implantação embrionária, mas não se sabe exatamente como a doença afeta negativamente na saúde reprodutiva da mulher.

A fertilização in vitro (FIV) é recomendada para as pacientes com adenomiose que tentam sem sucesso engravidar. Pesquisas mostram que o tratamento medicamentoso prévio com agonistas do GnRh poderia aumentar as taxas de sucesso. A administração contínua do medicamento por um período de 3 a 6 meses antes da FIV reduziria os níveis de estrogênio e, consequentemente, diminuiria as lesões adenomióticas e o tamanho uterino, favorecendo a ocorrência de gestação – inclusive espontânea. Porém, o uso de agonistas do GnRH está associado com efeitos colaterais muitas vezes intoleráveis, como instabilidade de humor, fogachos (ondas de calores), ressecamento vaginal, perda de massa óssea, entre outros.

Acredita-se que o DIU Mirena também pode ser uma alternativa para pacientes com adenomiose que desejam engravidar, porém estudos complementares ainda precisam ser feitos para comprovar os benefícios. Em até três meses após a inserção do sistema uterino com liberação de levonorgestrel, espera-se uma melhoria sintomática como a diminuição do fluxo menstrual e da cólica. Além de agir no endométrio, o sistema intrauterino também poderia agir diretamente sobre os focos de adenomiose, favorecendo uma futura gestação após a remoção do dispositivo. No entanto, a literatura ainda não valida essa alternativa.

Grávida com adenomiose

É importante que a gestante com adenomiose seja acompanhada de perto pelo seu obstetra. As mulheres com a doença apresentam uma maior taxa de abortamento no primeiro trimestre e também de complicações obstétricas, como risco de parto prematuro.

Entenda a diferença entre a FIV (fertilização in vitro) e a Inseminação artificial e quando cada método é indicado para o casal que deseja engravidar

FIV Fertilização in Vitro

Quando o casal tem relações desprotegidas durante um ano e não consegue engravidar, é necessário procurar a ajuda de um médico especialista em reprodução humana para avaliação adequada (veja mais informações aqui ) Atualmente, há diversos tratamentos que podem ser realizados por casais que não conseguem engravidar naturalmente. A fertilização in vitro (FIV) e a inseminação artificial são os tratamentos mais conhecidos – inclusive, muitas pessoas confundem os dois métodos.

Reprodução assistida: FIV e inseminação artificial

Tanto a inseminação artificial como a FIV são procedimentos realizados com acompanhamento de um médico especialista em Reprodução Humana. Um dos principais desafios da reprodução assistida é encontrar as causas da infertilidade do casal para, então, individualizar o tratamento para que alcançar o sonho da maternidade. Muitas vezes, o casal já chega com a ideia de fazer uma técnica específica, porém somente um profissional, após uma minuciosa avaliação, consegue individualizar o tratamento para aumentar a probabilidade de ocorrer uma gravidez.

Inseminação artificial

A inseminação artificial ou intrauterina é considerada uma técnica de baixa complexidade, e, consequentemente, tem um custo mais baixo, comparando com a FIV. O médico acompanha o ciclo menstrual com ultrassons transvaginais seriados e, durante o período ovulatório, o sêmen é depositado diretamente na cavidade uterina para ser fecundado naturalmente na tuba uterina. Ou seja, o tratamento diminui o caminho percorrido pelo espermatozoide até o óvulo. A inseminação pode ser realizada no ciclo natural da paciente, porém também é possível utilizar baixas doses de medicamentos para estimular a ovulação.

O sêmen é coletado no laboratório e é processado para concentrar o maior número de espermatozoides móveis e normais morfologicamente em um pequeno volume de material. É possível utilizar o sêmen do próprio parceiro ou de doador, no caso de produção independente ou para casais homoafetivos.

É um método indicado para casais com infertilidade sem causa aparente e também quando o homem possui alterações leves no sêmen, porém com qualidade adequada após o processamento seminal. Em relação aos fatores femininos, é recomendado em casos em que a mulher não ovula adequadamente, tem disfunções cervicais que impedem a subida dos espermatozoides ou tem endometriose leve ou moderada com pelo menos uma trompa não obstruída.

Fertilização in vitro (FIV)

Já a FIV, conhecida popularmente como “bebê de proveta”, é um tratamento mais complexo que necessita um maior acompanhamento médico e estrutura laboratorial. Inicialmente, a paciente é submetida à estimulação ovariana, com a utilização de hormônios que promoverão o recrutamento e amadurecimento de um maior número de óvulos, em comparação a um ciclo menstrual natural que normalmente produz um único óvulo. O acompanhamento médico, com ultrassons transvaginais e exames de sangue para dosagens hormonais, são essenciais para controlar a estimulação e definir o melhor dia para a captação dos óvulos.

Com a paciente sob leve sedação, os óvulos são retirados do ovário através de uma punção com agulha acoplada ao ultrassom transvaginal. No mesmo dia, o sêmen do parceiro é coletado e os melhores espermatozoides são selecionados. Os óvulos são colocados em um meio de cultivo especial e, depois de 2 a 4 horas, estarão prontos para receber os espermatozoides – de 50 a 100 mil por óvulo coletado! – para que ocorra a fertilização.

Após 3 a 5 dias, o embrião é transferido para o útero, que foi paralelamente preparado para aceitar o embrião. O número de embriões que serão transferidos para cada mulher depende da qualidade dos embriões formados, da idade da mulher e do desejo do casal. Caso haja um excesso de embriões, eles podem ser criopreservados e transferidos futuramente. Atualmente, é possível transferir apenas um embrião com taxas semelhantes de sucesso e especialistas em Reprodução Humana do mundo todo tentam diminuir o número de gestações múltiplas.

A fertilização in vitro é mais eficaz do que a inseminação e é indicada quando a mulher apresenta alterações e obstruções nas trompas, em casos de endometriose, baixa reserva ovariana ou idade avançada. Em relação aos fatores masculinos, é recomendada quando o homem apresenta baixa concentração ou motilidade dos espermatozoides.

Taxas de sucesso

O sucesso de um procedimento depende de diversas variáveis, como a idade do óvulo. As chances de uma gravidez natural são de 15%. Na inseminação, as chances de sucesso são de 25% a 30% e, na FIV, de 40% a 45%.

Adiar a maternidade é uma escolha cada vez mais frequente atualmente e congelar os óvulos é uma opção para preservar a fertilidade

Congelamento de óvulos

Trinta e poucos anos? Está na hora de pensar em congelar os óvulos!

Adiar a maternidade é uma escolha cada vez mais frequente. Mas é preciso estar atenta, pois a fertilidade tem uma queda natural com o passar dos anos. Diferentemente dos homens que têm uma fábrica ativa e permanente de espermatozóides, as mulheres já nascem com o estoque de óvulos para toda sua vida fértil. Com o passar dos anos, além da diminuição do número de óvulos, também acontece uma perda na sua qualidade, o que aumenta as chances de malformações e abortos. Daí a importância de conversar com um médico especialista em reprodução humana sobre técnicas para preservar a ferilidade, como o congelamento de óvulos.

Hormônio Anti-Mulleriano

Por meio de um exame de sangue é possível avaliar a dosagem do hormônio Anti-Mulleriano (AMH) produzido pelas células ovarianas, estimando a qualidade dos óvulos e a longevidade reprodutiva. Também é utilizado para o cálculo da dose de medicações utilizadas para a indução da ovulação.

A mulher tem a maior quantidade de óvulos antes mesmo de seu nascimento – cerca de 7 milhões. Ao nascer, esse número já cai para 2 milhões e a diminuição continua com o passar dos anos. Na primeira menstruação, restam aproximadamente 500 mil óvulos e cada ciclo menstrual consome, em média, 1.000 óvulos para que apenas um fique maduro – o folículo dominante. A reserva ovariana tem sua queda acelerada após os 35 anos e, aos 38 anos, a mulher tem apenas 25 mil óvulos. Aos 50 anos, a reserva ovariana é praticamente zero. Ou seja, se você tem mais de 35 anos e pretende engravidar, a situação pode começar a ficar complicada.

Quando congelar os óvulos é a melhor opção

O congelamento de óvulos pode ser uma opção para as mulheres que desejam postergar a maternidade e o ideal é que o procedimento seja feito até os 35 anos. O principal método utilizado atualmente é a vitrificação – com a técnica, o óvulo atinge a temperatura do congelamento em poucos segundos, sem a formação de cristais de gelo no interior de suas células.

Como é o procedimento?

Logo após a menstruação, a paciente é submetida a uma série de injeções diárias de hormônio para promover o crescimento dos folículos, que é acompanhado por ultrassom. Quando atingem o tamanho esperado, do 10o ao 12o dia, a paciente utiliza uma outra injeção para amadurecer os óvulos. Após 36 horas, a aspiração dos folículos é feita em uma clínica especializada em reprodução humana, em ambiente cirúrgico e com sedação. A punção é feita pelo canal vaginal e guiada por ultrassom. Os óvulos são capturados um a um e encaminhados para o laboratório, que avaliará a viabilidade de congelamento. O procedimento é rápido e, por conta da anestesia, costuma ser indolor. No pós-operatório, a paciente pode sentir uma cólica leve. Com a vitrificação, os óvulos mantêm as características e não envelhecem mais. Não existe um tempo limite de “validade”, mas na prática os óvulos ficam congelados por até 10 anos, a as taxas de sobrevivência ao descongelamento é de cerca de 95%.

O SUS não disponibiliza o tratamento e os planos de saúde não oferecem cobertura. Os valores variam de clínica para clínica, mas é importante se planejar para três gastos. Primeiro, a estimulação e a vitrificação. Depois, o tempo em que ficarão congelados – as clínicas costumam cobrar uma taxa anual de manutenção. Depois, ainda há gastos com o descongelamento, a formação do embrião e a fertilização.

Gravidez futura após congelar os óvulos

Depois de descongelado, o óvulo se torna igual ao óvulo fresco, porém é importante ressaltar que o congelamento não garante a gravidez, já que outros fatores envolvem a fertilização e a implementação no útero.

Após um ano de tentativas sem sucesso, uma avaliação criteriosa será feita tanto na mulher como no homem para identificar a causa da infertilidade

Recentemente falamos aqui sobre os fatores femininos, que representam 40% das causas de infertilidade. Agora vamos falar sobre os fatores masculinos, responsáveis também por aproximadamente 40% dos problemas de fertilidade.

Após um ano de tentativas sem sucesso, o casal deve buscar o auxílio de um profissional especialista em infertilidade e uma avaliação criteriosa será feita tanto na mulher como no homem.

Diferentemente das mulheres que já nascem com todos os óvulos formados, a produção de espermatozoides, as células reprodutoras masculinas, começa na puberdade e vai até o final da vida. Um homem saudável produz de 100 a 200 milhões de espermatozoides por dia. Bastante, né? No entanto, a produção normal de espermatozoides depende de um complexo sistema hormonal. O processo, que leva aproximadamente 72 dias, se inicia nos testículos com o desenvolvimento de células espermáticas imaturas para células espermáticas maduras (ou espermatozoides).

Nesta etapa, eles migram para o epidídimo e, após 18 a 24 horas, ganham a capacidade de se locomover. Em seguida, passam para o ducto deferente até chegarem à vesícula seminal, onde ficarão armazenados até o momento da ejaculação. Entre 200 a 500 milhões de espermatozoides são depositados na parte posterior da vagina durante a relação, porém apenas 300 a 500 conseguem alcançar o local da fecundação. No entanto, alguns problemas podem alterar a quantidade e/ou a qualidade dos espermatozoides:

Varicocele

É uma dilatação anormal das veias testiculares que pode dificultar o retorno venoso e a qualidade dos espermatozoides. Pode ser assintomática, mas em alguns casos causa dor e desconforto na região. Se comprovada a relação da varicocele com a infertilidade, a cirurgia é a opção para corrigir o problema. É um procedimento simples, realizado sob anestesia peridural ou raquidiana.

Disfunção hormonal

Os principais hormônios masculinos relacionados com a fertilidade são o FSH (Hormônio Folículo-estimulante), responsável por estimular a produção de espermatozoides, e o LH (Hormônio Luteinizante), que promove a produção de testosterona pelos testículos – baixos níveis de LH levam à perda da vontade sexual e dificuldade de ereção. Os dois hormônios podem ser repostos.

Processos infecciosos

Sífilis, gonorreia, clamídia e outras bactérias causam infecções que prejudicam as células testiculares e, em casos graves, podem obstruir o epidídimo e o ducto deferente, impedindo a liberação dos espermatozoides.

Exposição a toxinas

Alguns medicamentos, como a finasterida (usada contra a queda de cabelo) e as substâncias utilizadas na quimioterapia e na radiação ionizante podem comprometer a produção dos espermatozoides.

O uso de drogas também tem uma relação direta com a infertilidade. A maconha, por exemplo, diminui a mobilidade dos espermatozoides. Já a cocaína, altera a produção, e o álcool pode comprometer a qualidade do sêmen. Já o cigarro pode atrapalhar a ereção e provocar alterações até no DNA dos espermatozoides. Inclusive, dados da Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva (ASRM) mostram que homens e mulheres fumantes têm chance três vezes maior de sofrerem de infertilidade.

O uso de esteroides anabolizantes também pode causar infertilidade. A testosterona sintética ocasiona o bloqueio da produção de espermatozoides – em alguns casos, definitivamente.

Diagnóstico da infertilidade masculina: espermograma

O principal exame para investigar a infertilidade masculina é a análise do sêmen, o espermograma. Ele avalia alguns parâmetros como número de espermatozoides (a diminuição do número de espermatozóides é denominada oligospermia e sua ausência é chamada de azoospermia), a mobilidade, a morfologia, entre outros, além da ocorrência de infecções.

No entanto, vale destacar que o espermograma não é um teste de fertilidade e a avaliação para constatar a infertilidade masculina também deve abranger um exame físico e a investigação histórica do paciente e do casal.

Maternidade tardia, alterações ovulatórias – como a SOP – e a endometriose podem atrapalhar os planos de engravidar

Como falamos no último post, a infertilidade conjugal é definida como a ausência de gravidez após 12 meses de relações sexuais regulares sem o uso de métodos anticoncepcionais e os fatores femininos representam 40% das causas de infertilidade.

Fatores femininos: idade

Existem muitas causas de infertilidade feminina. A idade é uma delas: cada vez mais as mulheres estão postergando a maternidade e a qualidade e a quantidade de óvulos diminuem com o passar dos anos. A época ideal para a mulher engravidar é entre 20 a 30 anos de idade. Muito cedo para a vida atual, né? Mas aos 35 anos, cerca de 11% das mulheres já enfrentarão problemas para engravidar. Aos 45 anos, essa taxa ultrapassa os 85% e, aos 50 anos, praticamente todas as mulheres são inférteis.

Endometriose

A endometriose é caracterizada pela presença de endométrio, revestimento interno do útero, fora do órgão, como nos ovários, tubas, peritônio, e mais raramente, no intestino e na bexiga. É uma doença cada vez mais relevante na investigação da infertilidade – estimativas sugerem que 1 em cada 10 mulheres tem endometriose e que de 20 a 50% das pacientes que realizam tratamento para infertilidade apresentam o problema.

Fator uterino

Como é no útero que ocorre a implementação do embrião, qualquer alteração no órgão pode dificultar a gestação. As alterações uterinas mais frequentes são os miomas, os pólipos uterinos e algumas malformações congênitas como útero bicorno e unicorno.

Fator ovulatório

As alterações ovulatórias são geralmente causadas por distúrbios na produção dos hormônios que regulam o ciclo menstrual. Fatores emocionais, distúrbios da tireoide, o aumento da prolactina e a Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) estão entre as causas mais frequentes – inclusive, a SOP é um dos principais distúrbios que interfere no processo normal de ovulação.

Fator tubário

Muitas doenças ginecológicas, infecções e cirurgias podem danificar as tubas uterinas e atrapalhar o encontro do espermatozoide com o óvulo. Em alguns casos, a fertilização até ocorre na tuba danificada, mas o embrião gerado não consegue alcançar o útero, ocorrendo uma gestação ectópica, que é inviável e na maioria das vezes é necessária uma cirurgia de emergência para preservar a saúde da paciente.

Nos próximos posts irei detalhar mais cada uma das causas femininas, diagnósticos e tratamentos, mas no texto seguinte vamos falar sobre a infertilidade masculina!

As chances de engravidar em um único mês é pequena. Mas se o positivo não vem em um ano, é hora de procurar um especialista em Reprodução Assistida

Freepik

Antes mesmo de iniciarmos a vida sexual, somos bombardeados de avisos para evitarmos uma gravidez indesejada. Até que um dia resolvemos que é hora de ter um bebê e começam as tentativas. E o desapontamento surge quando, no primeiro mês, a menstruação desce ou os dois risquinhos do teste de farmácia não aparecem. Será que tenho algum problema?

As chances de engravidar em um único mês são pequenas: cerca de 15%. Após um ano, mantendo relações frequentes sem proteção (pelo menos três vezes por semana), essa taxa sobe para 88%. Por isso, mulheres abaixo de 35 anos só devem procurar ajuda de um médico especialista em reprodução humana para avaliação adequada após um ano sem conseguir engravidar – o período deve ser menor, de 6 meses, quando a mulher tem mais de 35 anos.

Não consigo engravidar. Devo procurar um especialista?

Claro que em algumas situações o casal deve procurar assistência médica antes de um ano. Por exemplo, quando o ciclo menstrual é irregular ou já é conhecido algum problema como endometriose, Síndrome dos Ovários Policísticos, miomas, infecção pélvica prévia, entre outros.

A infertilidade é um problema que atinge de 15 a 20% dos casais em idade fértil. Entre as causas estão os fatores femininos (40%), os fatores masculinos (40%). Os outros 20% são infertilidade sem causa aparente, mesmo após investigação completa.

Nos próximos dias, vamos falar um pouco mais sobre cada um desses fatores, como o diagnóstico é feito e também os principais tratamentos disponíveis atualmente para tratar a infertilidade. Acompanhe!

Após um ano, o casal que não consegue engravidar deve procurar um especialista em reprodução assistida

Confira, abaixo, a entrevista completa que concedi ao site Disney Babble sobre o tema!

Imagem1

Estudos apontam que cerca de 15% dos casais podem enfrentar algum tipo de dificuldade para engravidar naturalmente. O problema pode até ser mais comum do que se imagina, mas é fundamental entender bem o que significa “ter dificuldade para engravidar” e quais são as causas mais prováveis dessa situação.

Nosso corpo não é uma máquina e, por isso, não há garantias de que a gravidez vá acontecer de um dia para o outro. Portanto, o primeiro passo dos casais que estão querendo aumentar a família é ter muita paciência e tranquilidade para que o processo seja o mais natural possível. Assim como existem mulheres que engravidam de uma hora para outra sem querer, outras podem levar meses. Quando, então, essa demora sai do normal e merece atenção especial?

O médico especialista em reprodução assistida, Gabriel Monteiro Pinheiro, observa que somente após um ano de tentativas sem sucesso é que se começa a estudar a possibilidade de infertilidade. “São muitos os fatores que contribuem para que esses casais não engravidem. A reprodução assistida é o conjunto de técnicas utilizadas para identificar possíveis patologias ou fatores de risco para infertilidade”, explica.

Entre os principais obstáculos à gravidez espontânea estão a maternidade tardia, a endometriose e a anovolução – quando a ovulação não ocorre. “Hoje as mulheres optam por engravidar depois de alcançarem a estabilidade na carreira, o que não condiz com sua reserva ovariana, que começa a sofrer declínio já aos 30 anos até enfrentar uma queda vertiginosa aos 35 anos”, destaca o especialista.

No caso da endometriose, o processo inflamatório que danifica da região pélvica às tubas é um dos principais agentes dificultadores da gravidez, enquanto a ausência de ovulação pode aparecer nas pacientes com ovários policísticos. “Além disso, homens com taxas reduzidas de espermatozóides se mostram também como uma causa recorrente”, acrescenta o médico.

O lado positivo é que nem tudo está perdido. Com a evolução da medicina, existem diversos tipos de tratamento para os mais variados empecilhos à gravidez. O casal que sente dificuldades após 1 ano de tentativas (ou 6 meses para as mulheres com mais de 35 anos) deve procurar um médico para passar por uma série de diagnósticos e, caso algum problema seja identificado, iniciar um tratamento de reprodução assistida. Algumas das técnicas mais conhecidas são:

Indução de ovulação

A ovulação é estimulada por medicamentos e o processo é acompanhado por um ultrassom. A partir daí o médico indica as datas mais favoráveis para a relação sexual. É recomendado para pacientes com ovários policísticos.

Inseminação intrauterina

Além da indução da ovulação, há um preparo do sêmem para seleção apenas dos espermatozóides capacitados que, em seguida, são transferidos para o colo do útero.

Fertilização in vitro

Após indução da ovulação, os óvulos maduros são retirados por uma agulha fina pela vagina com ajuda de um ultrassom. Paralelamente, um espermograma seleciona os espermatozoides mais capacitados e a fertilização ocorre no laboratório. O embrião é formado e acompanhado por alguns dias até ser transferido de volta para o útero entre o terceiro e quinto dia, dependendo de seu desenvolvimento.

Injeção intracitoplasmática de espermatozoides

O processo é muito similar à fertilização in vitro, com a diferença que o melhor espermatozoide é selecionado e injetado diretamente no interior do óvulo.

Reprodução assistida: fatores que influenciam nas taxas de sucesso

Sobre a efetividade desses tratamentos, é importante gerenciar as próprias expectativas, já que, apesar de as chances de engravidar aumentarem, não há certeza de que vai dar certo. De forma geral, a indução de ovulação é bem-sucedida em 25% dos casos, enquanto a fertilização in vitro e injeção intracitoplasmática apresentam taxas de 43% de sucesso. “Essas probabilidades, entretanto, variam muito caso a caso”, pondera o médico. “A idade materna é a variável mais importante. Quanto mais nova a paciente, mais chances ela possui. A saúde dos ovários é outra variável de destaque: uma paciente que sofreu alguma cirurgia ovariana ou retirada de um ovário tem condições físicas menos favoráveis à reprodução”, esclarece Pinheiro.

A permeabilidade tubária é outro fator importante, já que gametas e embrião dependem da tuba para serem transportados até o útero. Por fim, vale lembrar que a aplicação de técnicas de fertilidade possui um outro “risco” significativo: as gestações múltiplas. “Isso acontece pela superestimulação ovariana e na transferência de um número maior de embriões para dentro do útero. Também vem associado ao aumento nos riscos de prematuridade”, afirma o especialista.

Com o crescimento da incidência de gestações múltiplas desde que as técnicas de reprodução assistida passaram a se tornar mais recorrentes, o Conselho Federal de Medicina criou uma lei que atribui um limite máximo de embriões a ser transferido para o útero, conforme a idade materna. Assim, mulheres com menos de 35 anos podem receber até dois; acima de 35, três; e, depois dos 40, elas podem receber até quatro embriões.

© 2019 Dr Gabriel Monteiro. Todos os direitos reservados.
WhatsApp chat